14 de dez de 2008

Felicidade é tudo, e não é nada




Inspiração, pra quê te quero?
Depois de alguns bons dois meses sem descarregar meus mundanos pensamentos, volto então para tentar redigir algo de certa importância.

Não costumo escrever quando me sinto feliz, (sim, me sinto feliz.) pois tenho a plena convicção de que eu, particularmente, não escrevo nada de muito chocante e polêmico quando não estou triste, insatisfeita e um tanto quanto depressiva.

Má que papo é esse?

Pois bem. Divagarei então sobre coisas, vagamente previsíveis.

Qual será a fase que eu estou passando atualmente e qual será a minha visão prá um futuro breve? (dito interessante elaborado por alguém mais ainda)

Desde o meu último post, venho pensado bastante na vida e no que ela tem pra me oferecer. O que eu ganho ou deixo de ganhar, do meu desejo quase que intrínseco de agir conforme a minha conduta, e não a partir de valores já pressupostos por terceiros. Pensei também na maneira como meus irmãos terráqueos vêem a tão sonhada e idealizada felicidade, e por fim, é claro, se ela realmente existe e exatamente o que ela é.

Partindo do princípio, não acho realmente que a tal felicidade exista. Ela não é um sentimento concreto nem tampouco palpável, não inátingivel, mas também não tão acessível.
Meu conceito sobre felicidade, é aquela tarde agradável, com aquela pessoa agradável, vivendo um momento agradável e almejando coisas agradáveis. É uma noite solitária, fria e silenciosa, mas que me propõe o máximo de prazer e satisfação. Ou então aquela festa maravilhosa, onde todo mundo se olha e se beija de uma forma descomunal, mas que me faz sentir a felicidade.

A felicidade é algo muito subjetivo, não é possível definir o que é ser feliz, como é uma pessoa feliz, quais os elementos que compõe esse sentimento, quais os caminhos para encontrar a tal felicidade.

Fugir de esteriótipos é a principal e maior receita pra ser feliz de fato.

Eu posso ser feliz enfrentando situações diárias de tensão, você não.
Eu posso ser feliz com meus mil e um defeitos, você não.
Eu posso ser feliz com minha TPM pontual, você não.
Eu posso ser feliz assistindo a felicidade alheia, você ás vezes não.
Eu posso ser feliz com o fato de idealizar meu sonho, você de fato não.

Ontem fui feliz por que amei alguém. Hoje não sou por que quem amo não está ao meu lado.
Ontem fui triste por que não amei ninguém. Hoje sou feliz pois tenho quem amo ao meu lado.

Estou feliz pois roubaram meu carro...
- Como??
... e eu não estava dentro.

São variáveis, inconstantes e inegáveis verdades sobre ser feliz.

Hoje em dia, eu sou feliz. Não fui a um mês atrás, mas hoje sou, e posso não ser daqui a dois dias.
Minha profissão, minha família, meus amigos, meu amor. Tudo em perfeita sintonia. Tudo em seu lugar, como gostaria que estivessem.

Não grite muito alto sua felicidade, a inveja tem sono leve...

E daqui pra frente o que será?
Realmente?
Não sei.

A escolha de quem caminha ao meu lado já foi feita.
E é isso que básicamente me importa.

Permita-se em todos os dias de sua vida. Ou pelo menos, tente que a maioria deles sejam vividos plenamente.

28 de out de 2008

O Dr. Destino

"Destino diz respeito a ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos. O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existênciais, assim também, como a responsabilidade dada as divindades para tais acontecimentos."

A dias pensava em escrever. Mas ás vezes a vida toma rumos que te tiram um pouco da órbita...

Mas enfim, cá estou eu, pensando no destino.
Será que destino realmente existe?
Será que não é fruto da imaginação de covardes que se escondem atrás de atitudes?
Será que é um tipo de refúgio para os que necessitam tomar drásticas decisões?
Será que é simplesmente quem comanda nosso cotidiano..?

Me faço essa pergunta constantemente e como se não bastasse, já mudei de opinião inúmeras vezes. Revirando minha lixeira, pude perceber o quão ingênua fui ao acreditar piamente que a vida não é feita de escolhas, mas sim de caminhos já traçados ou escritos sei lá por quem. Custei também a acreditar que podemos mudar ou transferir o nosso famoso "destino", discernindo entre o certo e o errado, o ônus e o bônus.
Quando menor, pensava eu que com o recém-nascido, além de toda aquela bagagem traumática que é o seu nascimento, ele trazia consigo seu caminho já pontilhado a espera de preenchimento, não podendo variar muito, pois afinal... seu destino já estava traçado. O tal sujeito viveria como se fosse o senhor de suas ações e lembraria sempre de que se for seu destino, sua sina, seu carma ele seria feliz ou infeliz, realizado ou fracassado, amante ou solitário, não dependendo muito de suas atitudes passadas.

Neste exato momento da minha vida, não sei se realmente me cabe responder se o Senhor Destino existe ou não, mas me serve perfeitamente mudar minha opinião assim que achar necessário.

Pois bem. Mudei.

Já não consigo acreditar que qualquer ser vivo tenha que ser castigado, sacrificado cruelmente, não podendo ser o próprio autor de sua história terrena. É difícil acreditar que você, você mesmo ai, não vive sua vida como escolhe, ou não escolhe sua vida como vive.
Por que teríamos nós, que cruzar os braços a frente de uma situação, ou deixar de fazer alguma coisa por causa do destino? Onde está escrito que eu serei uma pessoa de bem, honesta e companheira? Por que não posso ser dissimulada, mentirosa e cruel?
Por que o capítulo que define o meu caráter já foi escrito, ou por que quem resolveu que eu seria dessa tal forma estava num dia ruim e decidiu me fazer sofrer ou ser feliz?

Não, não é assim que as coisas andam.

Nós somos protagonistas da nossa história, somos hábeis para tomar atitudes sábias ou não, e conhecedores o bastante da nossa paixão para saber se é hora ou não de agir. Eu sou responsável por tudo que sou, sou um ser mutável, necessito de autonomia.

A lei da ação e reação, do aqui se faz aqui se paga, do bateu levou, é a resposta mais simples para todas as perguntas.

"Crie corvos e eles te furarão os olhos"

Tudo acontece por causa de, por consequência de. Nada é acaso, nada é mera coincidência. Se sou feliz hoje, plantei e colhi meus frutos. Se serei infeliz amanhã é porque algo eu fiz, algo aconteceu e eu não fiz a melhor escolha.

Destino é a antítese da ação. Conotativamente, é o surreal em carne e osso.




17 de out de 2008

Vida e Morte Severina

Que coisa essa vida...

Uma frase que mais me cabe nesse momento.. Essa ânsia, angustia, desespero,vergonha que toma conta de mim neste exato momento, parecem não desaparecer assim do nada, como surgiram..

Cá estou eu, remoendo meu passado, reavaliando, repensando e resolvendo meu futuro. Não vejo nada além de uma emorme decepção comigo mesma. Esperando ligações que nunca chegam, mensagens que nunca chegam, cartas que se perderam, momentos que se foram como pedras jogadas da janela, pessoas que vem e não saem, que vão e não voltam, que chegam e não esperam...

As reações diante destes casos são das mais variadas possíveis. Parece clichê, quando alguém fala que sofre por gostar de alguém sem ser correspondido, por esperar quem não te quer, por guardar lugar pra quem não quer esquentar banco...
Mas e a minha reação quanto a isso..? Onde está?
Onde eu encontro as verdades escondidas a milênios sobre o ser-humano, sobre um ser normal, que sente necessidades tanto ou mais que os outros mais que não consegue se apegar a absolutamente nada, que mais parece um ser mutável, que só o que consegue é agarrar-se no vago, no insolúvel...
...
Enquanto isso, a vida vai passando no teu lado... como um rio que leva tudo por diante, mesmo os imóveis a mudanças, mesmo os apáticos e sem perspectiva. Te apontando vários caminhos. é assim que a vida segue. Cabe então só a ti mesmo traça-lo.
Mas o resultado não vem. Somente a prévia certeza de que tudo continua como antes, e que as decisões te passam despercebidas, correm como cavalos sem rédias. Teus sentimentos não te obedeçem e teu coração é quem paga o pato.

A cabeça e a razão andam juntas, numa busca desenfreada por atitudes corretas e bem pensadas. Então, escuto qual das vozes? O demodê, o utópico e o surreal? Ou o presente, o verdadeiro e palpável?

Sem fugir dos princípios e valores, fazemos coisas que ás vezes nos custam a noite de sono leve e tranquilo... Fazemos coisas que dilaceram os sentimentos já frageis de tantos murros que levaram da vida... Fazemos coisas pensando serem corretas para com o outro e claro, sem fugir do nosso eu interior, que brada em alto e bom som : -"Se dê mal, mas não faça o próximo pagar por um erro que não foi dele."

Então o que nos resta. Dar um tapa e esconder a mão, ou se sincera o bastante para revelar o que lhe afige?

Sinto muito à quem não concorda, mais eu prefiro ser real, ser humana e demonstrar minhas fraquezas, meu sofrimento e meu pesar.

Assim me sinto mais justa, comigo, que sou a pessoa mais lesada dessa história toda...

Desculpas? Já pedi e muito.. e ainda acho que são poucas...

Aos que ficaram sem entender o post, serve como mais um desabafo de alguém ligeiramente abatido com uma situação nem um pouco agradável...

Aos que entenderam, não preciso dizer mais nada..

(post meio confuso como eu estou, novamente)

13 de out de 2008

Pilares de Acesso

A vida não é sempre como a gente deseja ou espera não é mesmo? Mas ela pode ser interessante do mesmo modo. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós naquele momento. Quem sabe mais adiante? Quem sabe depois? Quem sabe nunca?


Esses dias vinha voltando do curso e pensando na vida, nas minhas escolhas, no que já fiz, e também no que não fiz, e cheguei a seguinte conclusão: Na vida não nos cabe o arrependimento. Se fizemos algo por mais errado que possa parecer, em determinado momento de nossas vidas esse caminho pareceu o mais simples, certo e fácil a ser seguido. Os erros existem e são inevitáveis de acontecer. Mas por que os torna-los tão vis? Por que os torna-los insignificantes? sujos? vergonhosos? Os erros nada mais são do que uma forma de reciclagem, onde o que se fez e não foi aprovado, é simplesmente descartado de nossas vidas. Ou o que se fez de "errado" pode ser consertado, pelo simples ação do correto.

Ao longo dos meus 18 anos, posso dizer que errei.. e como errei.. mas não me envergonho disso.Não faço questão de deixar meus erros de lado, esconde-los.Não me arrependo nunca do que faço, pois sei que uma vida bem vivida tem seus altos e baixos, e que a palavra dita é como uma pedra jogada que não volta atrás. Uma ação, que não se dissolve mais. Aprendi também a ser menos impulsiva. O pensar e o agir são palavras totalmente distintas e se significado aparente. Depois de entender isso tudo , notei que tenho tempo para pensar, mesmo numa discussão, numa resposta sem aparente solução, num jogo de raciocínio lógico com tempo. O tempo para pensar, refletir está ai.. Basta ter a sabedoria e o equilíbrio necessário para tal prática. Relembrei também o quão difícil é conviver com a incerteza do talvez." -E se eu tivesse dito aquilo, feito aquilo, agido de tal forma..." Certamente seria diferente. Iria aguentar a consciência gritando que eu errei, que eu falhei, fracassei.. Mas tenho certeza que me sentiria muito mais aliviada falando tudo o que realmente quero, sem medo de ser feliz. É certo que não é fáci, por exemplo, declarar-se para alguém. É uma coisa muito íntima, difícil de ser revelada, mas que arrebenta o que vê pela frente. Acho mais fácil despejar tudo que realmente penso e sinto, pois só assim conseguirei me livrar de carmas e frustrações pendentes.



9 de out de 2008

Senilidade

Nossa.. Não é atoa que a preguiça é um dos sete pecados capitais...

Ela invalida o sujeito, anula sua vontade de ação e ainda por cima vence todos os sets de um jogo, cujo o único vencedor é aquele que consegue agir.

Estou nessa a dias. Escrevo... Não escrevo..
E pasmem.. não por falta de vontade. Isso garanto que não me falta. Nem por falta de assunto, pois me basta não ser alienada, mas sim por falta de inspiração.
Deixa de ser prazeroso quando algo se torna obrigatório. Então decido nem poluir o ambiente com meu textos (dramática...)

Mas o fato é que. Quando escrevo aqui, tudo parece menos complicado, menos pesado e menos vago. Então cá estou eu, falando sobre a minha pouca vontade de escrever nos últimos dias. Mas não me condeno por isso. Muitos, se não todos, os autores e escritores passam por isso, quer queirão quer não. Inspiração não é uma luzinha que se acende no fundo do cérebro, antes fosse...

...

Esses dias, peguei o meu T7 lotado matinal, havia esquecido meus fones, fato que raramente acontece comigo. Sentada na janela, pude perceber que duas senhoras, em torno de 50 a 60 anos vinham conversando sobre diversos assuntos. NOTA: o percurso todo.
Já que não pude escutar mais nada agradável, resolvi prestar um pouco de atenção na conversa das duas jovens senhoras. Já no primeiro instante o dialogo me chamou a atenção.

- "Ontem eu estava na academia, com o Paulão, por isso estava off no msn..."

Aquela pequena afirmativa me caiu como, um tapa bem dado na cara para acordar... Não fiquei surpresa, pelo contrário, convivo com pessoas mais velhas diáriamente e sei que se não fazem tudo, ou quese tudo igual aos "ditos " mais jovens, é por que não querem, porque disposição não lhes falta. Minha vó é um exemplo vivo. Quatro filhos, seis netos e nenhuma ruga. Computador a todo vapor. Msn ligado 24 horas diárias. Emails lidos, respondidos e apagados. Pleno bem-estar e plena vontade de viver.

E é isso que me choca.
Cada vez vejo mais gente jovem por ai, assim como eu sempre insatisfeito com alguma coisa, sentindo fadiga só de pensar em levantar da cama, morrendo ao pensar num exercício físico.

E é ai que entra a senilidade. Os idosos ganham em disparada no quesito animação e entusiasmo para com a vida. Deixando todas as precariedades de lado, saúde física e mental, pré-disposição à problemas fisiológicos, preconceito e claro sem falar na bendita aposentadoria, que muitos infelizmente acabam definhando a espera da mesma.
Sem generalizações é claro, passam pelos problemas todos já citados e muitos outros que não foram lembrados, como rastro de pólvora, desprendendo-se do passado e do futuro, aproveitando e vivendo o presente.

O que fica disso então? Pode-se dizer que uma ponta de inveja, mas uma inveja boa, construtiva. A vontade de sempre querer tem e deve ser contagiante, e sem faixa etária.

...depois daquele dia, rezo para encontá-las de novo. Sem titubiar, pedirei o msn de uma das duas.






25 de set de 2008

Plastificado

Alguém me interne no paraíso preciso urgente dar um tempo por lá o dia passa enquanto eu perco o juízo quem foi que inventou que era assim? sorrisos plásticos, cumprindo seu papel,enfeitando um rosto de pedra! Se a regra é ser tão simpático! Mesmo que seja só, pra convencer toda a platéia. Abraços vazios, olhares de gelo tão descartáveis quanto cascas no chão, flashes capturam a melhor fachada mas quem vê foto, não vê coração! Não quero mais montagens ao redor agindo sempre assim só quando for conveniente pra ganhar bônus e somar pontos à sua carteirinha de hipócrita oficial!
I wanna be away from here, quando essa bomba explodir i wanna be away from here, quando essa bomba explodir

8 de set de 2008

É pra ti mesmo.

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer
Eu acho tão bonito
Isso de ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber
(Lulu Santos)

31 de mai de 2008

True love

Nova Paixão

É tarde e eu não consigo dormir. Penso logo não durmo. Um turbilhão de pensamentos e cenas de meu dia me irradiam como se fossem feixes de luz. Retrocedo rapidamente até o horário que o despertador toca. São 6:30. Mais um dia. Um de cada vez. Mas esse dia é especial. Talvez encontre alguém que não vejo a tantas. Aterrizo então de volta ao meu mundinho. Minha cama vazia. Espaço aberto. Aluga-se. Já que por aqui não a nada de importante e capicioso para se fazer, volto ao meu lindo dia. Faculdade. Exercícios, exames, notas tudo muito vago do que será minha vida daqui pra frente. Amor a profissão a pouco descoberta. Algo inconfundível e irrefutável. A vida nem sempre é fácil. As decisões não foram nem um pouco espontâneas, partidas do meu ego, super-ego me ajude! Escolhas que poderiam ter me custado um preço muito alto, escolhas que certamente não conduziriam com meu modo de agir e pensar de hoje em dia. Futuros quase perfeitos. Empregos bem remunerados. Ares condicionados. Ventos. Asas. Roupas. Nada disso me satisfez. Nada disso me completou. Atraiu sim, no início, claro, deslumbramento com a perfeição percentualmente é mais que aceitável. Mas não foi além disso. Depois o vazio me envolveu com seus braços fortes como camisa de força. Prendendo-me novamente aquilo que me parecia a coisa mais terrível na vida de um ser humano. A dúvida. Será que é isso mesmo? Não sei se quero assim. Não tenho tanta certeza de que serei realizada dessa maneira. E me questionei, pensei, refleti. Foi quando uma ideia chegou até mim. Por meu pai. Fome e vontade de comer unidas. Aquela vontade escondida, aquele altruísmo recolhido, aquela mão estendida, tiveram solução e destino. Se revelaram como um sonho bom. Não perfeito, por que perfeição demais enche o saco. Aquele sonho que vira realidade, vida real. E assim se fez. Casamento perfeito. Par perfeito. Escolha feliz. Hoje me sinto feliz neste pequeno quadrante da vida. Futuro profissional. Sei e já estou cansada de ouvir os recalcados de plantão dizerem que "nem tudo são rosas.." Sei que nem tudo são rosas. Tudo tem seu ónus e seu bónus, seu Yin-Yang, seu equilíbrio. Nem sempre estarei disposta. Minhas mãos estarão cansadas num dia dificil. Cansaço mental. Sim. Mas tudo faz parte do que chamamos de livre arbítrio. Se foi o que meu lado mais sensato e emocional gritou, assei será. Minha vocação não se restringe a valores morais, normas e nem condutas. Diz respeito ao coração, percepção, tato. E foi isso que escolhi para mim. É exatamente isso que me faz feliz, afora família e amigos, é isso, única e exclusivamente isso. Qual é essa profissão então? Esta profissão é aquela que recebe sem pedir nada em troca, da amor, carinho, cuidados para os necessitados e por cima de tudo: ensina a viver.

30 de mai de 2008

To be my self


"Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade.

Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais.
Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer
não derramo uma lágrima.

Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz. Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais. Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo. Nem eu sou o que penso que eu sou. Nem nós o que a gente pensa que tem.

Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho sem salário e não entendo de economizar. Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho. Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo pra algum anjo de plantão e mascaro minha fé no deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido.

Não bebo porque só me aceito sóbria, fumo pra enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas. Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada — exceto por um traço preto no olhar — pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem no lado esquerdo das costas.

Mas há uma mulher em algum lugar em mim que usa caros perfumes, sedas importadas e brilho no olhar, quando se traveste em sedução.

Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez.

Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo."







Luis Fernado Veríssimo

Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia
e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
gente..

Verdades mais que cópias

Ai abaixo seguem crônicas de Martha Medeiros. Não... Infelizmente não são minhas... Mais são tão inteligentes, sagazes e penetrantes que ponho como se fizessem parte de meu livro da vida, pois relatam de alguma forma algo que já vivi, já passei, algo que sinto e penso.

Voz do silêncio

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Faz de conta


Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.


Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

Aí tem



As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.

Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.

Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?

É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem

Amor epidérmico



Seus pais foram jantar fora e deixaram o apartamento só para você, seu namorado e a tevê a cabo. Que inconseqüentes! Em menos de um minuto vocês deixam a televisão falando sozinha e vão ensaiar umas cenas de amor no quartinho dos fundos. De repente, escutam o barulho da fechadura. Seu pai esqueceu o talão de cheques. Passos no corredor. Antes que você localize sua camiseta, sua mãe se materializa na porta. Parece que ela está brincando de estátua, mas não resta dúvida que entrou em estado de choque. Você diz o quê? Mãe, a carne é fraca.

A desculpa é esfarrapada mas é legítima. Nada é mais vulnerável que nosso desejo. Na luta entre o cérebro e a pele, nunca dá empate. A pele sempre ganha de W.O.

Você planeja terminar um relacionamento. Chegou à conclusão que não quer mais ter a seu lado uma pessoa distante, que não leva nada à sério, que vive contando piadinhas preconceituosas e que não parece estar muito apaixonado. Por que levar a história adiante? Melhor terminar tudo hoje mesmo. Marca um encontro. Ele chega no horário, você também. Começam a conversar. Você engata o assunto. Para sua surpresa, ele ficou triste. Não quer se separar de você. E para provar, segura seu rosto com as duas mãos e tasca-lhe um beijo. Danou-se.

Onde foram parar as teorias, os diálogos que você planejou, a decisão que parecia irrevogável? Tomaram Doril. Você agora está sob os efeitos do cheiro dele, está rendida ao gosto dele, está ligada a ele pela derme e epiderme. A gravação do seu celular informa: seus neurônios estão fora da área de cobertura ou desligados.

Isso nunca aconteceu com você? Reluto entre dar-lhe os parabéns ou os pêsames. Por um lado, é ótimo ter controle absoluto de todas as suas ações e reações, ter força suficiente para resistir ao próprio desejo. Por outro lado, como é bom dar folga ao nosso raciocínio e deixar-se seduzir, sem ficar calculando perdas e danos, apenas dando-se ao luxo de viver o seu dia de Pigmaleão.

A carne é fraca, mas você tem que ser forte, é o que recomendam todos. Tente, ao menos de vez em quando, ser sexualmente vegetariano e não ceder às tentações. Se conseguir, bravo: terá as rédeas de seu destino na mão. Mas se não der certo, console-se. Criaturas que derretem-se, entregam-se, consomem-se e não sabem negar-se costumam trazer um sorriso enigmático nos lábios. Alguma recompensa há de ter.

Modo de usar-se

Modo de usar-se

"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.

Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

29 de mai de 2008

She will be loved



Not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along

My heart is full and my door's always open

You can come anytime you want
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile

Ask her if she wants to stay a while

And she will be loved
And she will be loved
I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are

I know that goodbye means nothing at all

Comes back and makes me catch her everytime she falls

Tap on my window knock on my door

I want to make you feel beautiful
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay a while
And she will be loved
And she will be loved

Antes idiota que infeliz

"Estou no começo do meu desespero/e só vejo dois caminhos:/ou viro doida ou santa". São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo o ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: "De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?".

Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?

Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???

Nem ela, caríssimos, nem ela.

Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.

Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar "the big one", aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.

Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.


Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

(Martha Medeiros)

8 de mar de 2008

Pequeno grande devaneio



"Nada vai fazer com que eu desista de você, de você
Tudo que eu quero eu consigo e vou lhe dizer, com
você

Não vai ser diferente você me olhou
Eu vi seu interesse
Você me ganhou, você me ganhou

Vou descobrir seu endereço
E vou te buscar
Pra gente passear, pra gente passear"

Boas Vindas

Hola!
Mas quem diria?!
"Os olhos de capitu"...
Apelido que virou título de mais um descarregador de energias, sentimentos e emoções...
Enfim...
Mas logo hoje...
Dia de minha estreia, estou totalmente e completamente vazia de ideias...
E afirmo: Isso é muito raro...
Bom mesmo e dar-me um tempo pra que as novidades e expressões possam tomar conta desta pobre criatura que vos fala...
Até lá...
Contenha-se!

Elas

Elas cantam quando querem chorar.

Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando suas crianças adoecem e se alegram quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre um aniversário ou um novo casamento.

Chaplin


"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes! Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida... e você também não deveria passar! Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante."
(Charlie Chaplin)

Feel





★★★ Qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento. Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.★★★

(Martha Medeiros)



"I just want to walk right out of this world, cause everybody has a poison heart." Ramones/poison heart