28 de out de 2008

O Dr. Destino

"Destino diz respeito a ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos. O destino é muito usado para tentar explicar o absurdo dos acontecimentos existênciais, assim também, como a responsabilidade dada as divindades para tais acontecimentos."

A dias pensava em escrever. Mas ás vezes a vida toma rumos que te tiram um pouco da órbita...

Mas enfim, cá estou eu, pensando no destino.
Será que destino realmente existe?
Será que não é fruto da imaginação de covardes que se escondem atrás de atitudes?
Será que é um tipo de refúgio para os que necessitam tomar drásticas decisões?
Será que é simplesmente quem comanda nosso cotidiano..?

Me faço essa pergunta constantemente e como se não bastasse, já mudei de opinião inúmeras vezes. Revirando minha lixeira, pude perceber o quão ingênua fui ao acreditar piamente que a vida não é feita de escolhas, mas sim de caminhos já traçados ou escritos sei lá por quem. Custei também a acreditar que podemos mudar ou transferir o nosso famoso "destino", discernindo entre o certo e o errado, o ônus e o bônus.
Quando menor, pensava eu que com o recém-nascido, além de toda aquela bagagem traumática que é o seu nascimento, ele trazia consigo seu caminho já pontilhado a espera de preenchimento, não podendo variar muito, pois afinal... seu destino já estava traçado. O tal sujeito viveria como se fosse o senhor de suas ações e lembraria sempre de que se for seu destino, sua sina, seu carma ele seria feliz ou infeliz, realizado ou fracassado, amante ou solitário, não dependendo muito de suas atitudes passadas.

Neste exato momento da minha vida, não sei se realmente me cabe responder se o Senhor Destino existe ou não, mas me serve perfeitamente mudar minha opinião assim que achar necessário.

Pois bem. Mudei.

Já não consigo acreditar que qualquer ser vivo tenha que ser castigado, sacrificado cruelmente, não podendo ser o próprio autor de sua história terrena. É difícil acreditar que você, você mesmo ai, não vive sua vida como escolhe, ou não escolhe sua vida como vive.
Por que teríamos nós, que cruzar os braços a frente de uma situação, ou deixar de fazer alguma coisa por causa do destino? Onde está escrito que eu serei uma pessoa de bem, honesta e companheira? Por que não posso ser dissimulada, mentirosa e cruel?
Por que o capítulo que define o meu caráter já foi escrito, ou por que quem resolveu que eu seria dessa tal forma estava num dia ruim e decidiu me fazer sofrer ou ser feliz?

Não, não é assim que as coisas andam.

Nós somos protagonistas da nossa história, somos hábeis para tomar atitudes sábias ou não, e conhecedores o bastante da nossa paixão para saber se é hora ou não de agir. Eu sou responsável por tudo que sou, sou um ser mutável, necessito de autonomia.

A lei da ação e reação, do aqui se faz aqui se paga, do bateu levou, é a resposta mais simples para todas as perguntas.

"Crie corvos e eles te furarão os olhos"

Tudo acontece por causa de, por consequência de. Nada é acaso, nada é mera coincidência. Se sou feliz hoje, plantei e colhi meus frutos. Se serei infeliz amanhã é porque algo eu fiz, algo aconteceu e eu não fiz a melhor escolha.

Destino é a antítese da ação. Conotativamente, é o surreal em carne e osso.




17 de out de 2008

Vida e Morte Severina

Que coisa essa vida...

Uma frase que mais me cabe nesse momento.. Essa ânsia, angustia, desespero,vergonha que toma conta de mim neste exato momento, parecem não desaparecer assim do nada, como surgiram..

Cá estou eu, remoendo meu passado, reavaliando, repensando e resolvendo meu futuro. Não vejo nada além de uma emorme decepção comigo mesma. Esperando ligações que nunca chegam, mensagens que nunca chegam, cartas que se perderam, momentos que se foram como pedras jogadas da janela, pessoas que vem e não saem, que vão e não voltam, que chegam e não esperam...

As reações diante destes casos são das mais variadas possíveis. Parece clichê, quando alguém fala que sofre por gostar de alguém sem ser correspondido, por esperar quem não te quer, por guardar lugar pra quem não quer esquentar banco...
Mas e a minha reação quanto a isso..? Onde está?
Onde eu encontro as verdades escondidas a milênios sobre o ser-humano, sobre um ser normal, que sente necessidades tanto ou mais que os outros mais que não consegue se apegar a absolutamente nada, que mais parece um ser mutável, que só o que consegue é agarrar-se no vago, no insolúvel...
...
Enquanto isso, a vida vai passando no teu lado... como um rio que leva tudo por diante, mesmo os imóveis a mudanças, mesmo os apáticos e sem perspectiva. Te apontando vários caminhos. é assim que a vida segue. Cabe então só a ti mesmo traça-lo.
Mas o resultado não vem. Somente a prévia certeza de que tudo continua como antes, e que as decisões te passam despercebidas, correm como cavalos sem rédias. Teus sentimentos não te obedeçem e teu coração é quem paga o pato.

A cabeça e a razão andam juntas, numa busca desenfreada por atitudes corretas e bem pensadas. Então, escuto qual das vozes? O demodê, o utópico e o surreal? Ou o presente, o verdadeiro e palpável?

Sem fugir dos princípios e valores, fazemos coisas que ás vezes nos custam a noite de sono leve e tranquilo... Fazemos coisas que dilaceram os sentimentos já frageis de tantos murros que levaram da vida... Fazemos coisas pensando serem corretas para com o outro e claro, sem fugir do nosso eu interior, que brada em alto e bom som : -"Se dê mal, mas não faça o próximo pagar por um erro que não foi dele."

Então o que nos resta. Dar um tapa e esconder a mão, ou se sincera o bastante para revelar o que lhe afige?

Sinto muito à quem não concorda, mais eu prefiro ser real, ser humana e demonstrar minhas fraquezas, meu sofrimento e meu pesar.

Assim me sinto mais justa, comigo, que sou a pessoa mais lesada dessa história toda...

Desculpas? Já pedi e muito.. e ainda acho que são poucas...

Aos que ficaram sem entender o post, serve como mais um desabafo de alguém ligeiramente abatido com uma situação nem um pouco agradável...

Aos que entenderam, não preciso dizer mais nada..

(post meio confuso como eu estou, novamente)

13 de out de 2008

Pilares de Acesso

A vida não é sempre como a gente deseja ou espera não é mesmo? Mas ela pode ser interessante do mesmo modo. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós naquele momento. Quem sabe mais adiante? Quem sabe depois? Quem sabe nunca?


Esses dias vinha voltando do curso e pensando na vida, nas minhas escolhas, no que já fiz, e também no que não fiz, e cheguei a seguinte conclusão: Na vida não nos cabe o arrependimento. Se fizemos algo por mais errado que possa parecer, em determinado momento de nossas vidas esse caminho pareceu o mais simples, certo e fácil a ser seguido. Os erros existem e são inevitáveis de acontecer. Mas por que os torna-los tão vis? Por que os torna-los insignificantes? sujos? vergonhosos? Os erros nada mais são do que uma forma de reciclagem, onde o que se fez e não foi aprovado, é simplesmente descartado de nossas vidas. Ou o que se fez de "errado" pode ser consertado, pelo simples ação do correto.

Ao longo dos meus 18 anos, posso dizer que errei.. e como errei.. mas não me envergonho disso.Não faço questão de deixar meus erros de lado, esconde-los.Não me arrependo nunca do que faço, pois sei que uma vida bem vivida tem seus altos e baixos, e que a palavra dita é como uma pedra jogada que não volta atrás. Uma ação, que não se dissolve mais. Aprendi também a ser menos impulsiva. O pensar e o agir são palavras totalmente distintas e se significado aparente. Depois de entender isso tudo , notei que tenho tempo para pensar, mesmo numa discussão, numa resposta sem aparente solução, num jogo de raciocínio lógico com tempo. O tempo para pensar, refletir está ai.. Basta ter a sabedoria e o equilíbrio necessário para tal prática. Relembrei também o quão difícil é conviver com a incerteza do talvez." -E se eu tivesse dito aquilo, feito aquilo, agido de tal forma..." Certamente seria diferente. Iria aguentar a consciência gritando que eu errei, que eu falhei, fracassei.. Mas tenho certeza que me sentiria muito mais aliviada falando tudo o que realmente quero, sem medo de ser feliz. É certo que não é fáci, por exemplo, declarar-se para alguém. É uma coisa muito íntima, difícil de ser revelada, mas que arrebenta o que vê pela frente. Acho mais fácil despejar tudo que realmente penso e sinto, pois só assim conseguirei me livrar de carmas e frustrações pendentes.



9 de out de 2008

Senilidade

Nossa.. Não é atoa que a preguiça é um dos sete pecados capitais...

Ela invalida o sujeito, anula sua vontade de ação e ainda por cima vence todos os sets de um jogo, cujo o único vencedor é aquele que consegue agir.

Estou nessa a dias. Escrevo... Não escrevo..
E pasmem.. não por falta de vontade. Isso garanto que não me falta. Nem por falta de assunto, pois me basta não ser alienada, mas sim por falta de inspiração.
Deixa de ser prazeroso quando algo se torna obrigatório. Então decido nem poluir o ambiente com meu textos (dramática...)

Mas o fato é que. Quando escrevo aqui, tudo parece menos complicado, menos pesado e menos vago. Então cá estou eu, falando sobre a minha pouca vontade de escrever nos últimos dias. Mas não me condeno por isso. Muitos, se não todos, os autores e escritores passam por isso, quer queirão quer não. Inspiração não é uma luzinha que se acende no fundo do cérebro, antes fosse...

...

Esses dias, peguei o meu T7 lotado matinal, havia esquecido meus fones, fato que raramente acontece comigo. Sentada na janela, pude perceber que duas senhoras, em torno de 50 a 60 anos vinham conversando sobre diversos assuntos. NOTA: o percurso todo.
Já que não pude escutar mais nada agradável, resolvi prestar um pouco de atenção na conversa das duas jovens senhoras. Já no primeiro instante o dialogo me chamou a atenção.

- "Ontem eu estava na academia, com o Paulão, por isso estava off no msn..."

Aquela pequena afirmativa me caiu como, um tapa bem dado na cara para acordar... Não fiquei surpresa, pelo contrário, convivo com pessoas mais velhas diáriamente e sei que se não fazem tudo, ou quese tudo igual aos "ditos " mais jovens, é por que não querem, porque disposição não lhes falta. Minha vó é um exemplo vivo. Quatro filhos, seis netos e nenhuma ruga. Computador a todo vapor. Msn ligado 24 horas diárias. Emails lidos, respondidos e apagados. Pleno bem-estar e plena vontade de viver.

E é isso que me choca.
Cada vez vejo mais gente jovem por ai, assim como eu sempre insatisfeito com alguma coisa, sentindo fadiga só de pensar em levantar da cama, morrendo ao pensar num exercício físico.

E é ai que entra a senilidade. Os idosos ganham em disparada no quesito animação e entusiasmo para com a vida. Deixando todas as precariedades de lado, saúde física e mental, pré-disposição à problemas fisiológicos, preconceito e claro sem falar na bendita aposentadoria, que muitos infelizmente acabam definhando a espera da mesma.
Sem generalizações é claro, passam pelos problemas todos já citados e muitos outros que não foram lembrados, como rastro de pólvora, desprendendo-se do passado e do futuro, aproveitando e vivendo o presente.

O que fica disso então? Pode-se dizer que uma ponta de inveja, mas uma inveja boa, construtiva. A vontade de sempre querer tem e deve ser contagiante, e sem faixa etária.

...depois daquele dia, rezo para encontá-las de novo. Sem titubiar, pedirei o msn de uma das duas.