31 de mai de 2008

Nova Paixão

É tarde e eu não consigo dormir. Penso logo não durmo. Um turbilhão de pensamentos e cenas de meu dia me irradiam como se fossem feixes de luz. Retrocedo rapidamente até o horário que o despertador toca. São 6:30. Mais um dia. Um de cada vez. Mas esse dia é especial. Talvez encontre alguém que não vejo a tantas. Aterrizo então de volta ao meu mundinho. Minha cama vazia. Espaço aberto. Aluga-se. Já que por aqui não a nada de importante e capicioso para se fazer, volto ao meu lindo dia. Faculdade. Exercícios, exames, notas tudo muito vago do que será minha vida daqui pra frente. Amor a profissão a pouco descoberta. Algo inconfundível e irrefutável. A vida nem sempre é fácil. As decisões não foram nem um pouco espontâneas, partidas do meu ego, super-ego me ajude! Escolhas que poderiam ter me custado um preço muito alto, escolhas que certamente não conduziriam com meu modo de agir e pensar de hoje em dia. Futuros quase perfeitos. Empregos bem remunerados. Ares condicionados. Ventos. Asas. Roupas. Nada disso me satisfez. Nada disso me completou. Atraiu sim, no início, claro, deslumbramento com a perfeição percentualmente é mais que aceitável. Mas não foi além disso. Depois o vazio me envolveu com seus braços fortes como camisa de força. Prendendo-me novamente aquilo que me parecia a coisa mais terrível na vida de um ser humano. A dúvida. Será que é isso mesmo? Não sei se quero assim. Não tenho tanta certeza de que serei realizada dessa maneira. E me questionei, pensei, refleti. Foi quando uma ideia chegou até mim. Por meu pai. Fome e vontade de comer unidas. Aquela vontade escondida, aquele altruísmo recolhido, aquela mão estendida, tiveram solução e destino. Se revelaram como um sonho bom. Não perfeito, por que perfeição demais enche o saco. Aquele sonho que vira realidade, vida real. E assim se fez. Casamento perfeito. Par perfeito. Escolha feliz. Hoje me sinto feliz neste pequeno quadrante da vida. Futuro profissional. Sei e já estou cansada de ouvir os recalcados de plantão dizerem que "nem tudo são rosas.." Sei que nem tudo são rosas. Tudo tem seu ónus e seu bónus, seu Yin-Yang, seu equilíbrio. Nem sempre estarei disposta. Minhas mãos estarão cansadas num dia dificil. Cansaço mental. Sim. Mas tudo faz parte do que chamamos de livre arbítrio. Se foi o que meu lado mais sensato e emocional gritou, assei será. Minha vocação não se restringe a valores morais, normas e nem condutas. Diz respeito ao coração, percepção, tato. E foi isso que escolhi para mim. É exatamente isso que me faz feliz, afora família e amigos, é isso, única e exclusivamente isso. Qual é essa profissão então? Esta profissão é aquela que recebe sem pedir nada em troca, da amor, carinho, cuidados para os necessitados e por cima de tudo: ensina a viver.

2 comentários:

  1. Muito bom mesmo, e quanto mais descubro coisas sobre você, mas fico arrependido de ter te encontrado tão tarde.

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Escreva mesmo sem saber o porque...