7 de mai de 2012

Maremoto






Deixei meu mundo pra trás. Meu mundo perfeito. O mundo que eu criei pra mim. 
Esqueci de me bastar. Esqueci de ser mais importante do que qualquer coisa.
Quis tanto ser correta e altruísta, que no final do dia eu fui a única pessoa que caiu na minha própria ilusão.

Eu pensei que ia ser mais fácil. Talvez mais bonito, mais cheio de vida, de poesia, de beijo, de sabores diversos, de um quê feliz. Não, não pense que meus dias andam amargos ou infelizes, só ando mais pé na terra. Uma terra úmida, que deixa os pés sujos, meio molhados, maltratados. Uma terra que às vezes fere, em outras traz o gosto de vida. Porque a vida é isso: suor e sossego. Mas eu sempre gostei das coisas mais complexas, do não dito, do invisível, do que é perecível.

Só quero a verdade, os gostos bons, amor saindo pelos poros, um punhado de vontade, falta de vergonha e uma pitada de saudade. Não é pedir muito para uma sonhadora, que de tanto sonhar se torna boba, um pouco doida e amadora.

Não exagero mais. Não transbordo mais. Tenho em mim o sentimento mais cru. O muito me enjoa. 
Agora eu sou quem eu preciso ser.
Não que isso me faça deixar de ser eu mesma, mas agora eu sou apenas a nata, o necessário, o concreto, sou eu e pronto.

Simples assim, sem muitas entrelinhas.

22 de set de 2011

Canção das Mulheres


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva, saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft

7 de set de 2011

00:55

Conviver com alguém deve ser tão ou mais complicado do que qualquer coisa que alguém possa vir a imaginar, pensar, raciocinar ou discernir...
É, deve ser...

Partindo da premissa que as pessoas são integralmente diferentes, pensam coisas que na maioria das vezes, não chegam nem ao cerne do teu real querer, é praticamente impossível associar a ideia de rotina com satisfação.
Acordar todos os dias com alguém, dividir tarefas (mesmo que a balança sempre penda para um lado), perder a famigerada "liberdade" é algo que ás vezes amedronta.
Nós, na qualidade de seres humanos não conhecemos diversas coisas, e por consequência, tememos o desconhecido, e é por isso que as relações interpessoais hoje em dia, são mais complexas do que elas realmente parecem.

Não basta só querer.
O conviver precisa de dedicação, zelo, hombridade e companheirismo.

Antes de se sentir ameaçado quando alguém está prestes a invadir seu espaço, usar seus chinelos e dormir na sua cama, olhe pra você, e note o quanto monstruoso você pode parecer.

Bú!

2 de jul de 2011

Rain


Meu caminho é cada manhã, não procure saber onde estou. Meu destino não é de ninguém e eu não deixo os meus passos no chão. Se você não entende não vê

Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou, se o meu jeito te surpreende. Se o meu corpo virasse sol se a minha mente virasse sol, mas só chove, chove

Chove, chove




5 de mai de 2011


Hoje foi um dia bom. É, definiria o dia de hoje como um dia bom.
A dor que me afligia teve fim, o cheiro que eu sinto agora não é mais do medo, mas sim do perfume dele que me faz tão bem. As lágrimas que caem são de sossego, de satisfação e da sensação de ter de volta tudo o que um dia eu temia perder.

Ninguém pode ter certeza de êxito quando opta por seguir um caminho, mas todos podem ter fé de que esse é o que lhe trará mais paz e harmonia.

De tempos em tempos me pego pensando na escolha, no caminho, no rumo, na decisão, na atitude e por mais que na hora sempre reste um receio, o amor e a crença nele é que prevalece.

Existe um caminho muito simples para a plenitude.
Existe um caminho infinito para a perfeição.
E mais do que nunca, eu não tenho pressa.



1 de mai de 2011

Mateus 26:48-49




Hoje não foi um bom dia.
Foi um péssimo dia. Foi um dia que eu preferia que não tivesse existido.
Todas os meus erros deixaram feridas, e quando eu as olho, lembro do quanto sofri e do que eu aprendi com elas.
Mas agora, realmente, eu não sei o que fazer com essa cicatriz.
Ela é uma ferida pungente, que dói sempre que me lembro, quando eu sinto o cheiro do medo, ou o gosto das minhas lágrimas salgadas caindo do meu rosto.
Ainda me pergunto o que saiu errado. Por que? Por que comigo? Por que assim? Por que agora?
Esse algo a mais sempre me faltou, nunca me senti plena como deveria estar.
Era algo que de tão arraigado em minha alma, me confundia entre onde começava o eu e terminava ele.

Quem convive comigo sabe. Eu não sou prática. Eu não sou constante. Eu não sou certeza. E eu não sou sempre eu.

Quando se é criado por um homem honesto, educado, inteligente e gentil, fica praticamente impossível aceitar algum modelo externo que fuja disso, alguém que não tenha nem metade das qualidades que os teus próprios instintos suplicam.
Não é algo que eu possa controlar, que eu possa dizer "pára instinto, eu quero mesmo assim!" Faz parte do meu eu, de quem eu sou, da minha personalidade e do que eu quero ser.

Ainda não consegui distinguir se sinto raiva, rancor, mágoa, medo, vergonha, nojo, amor, saudade, ira. Nesse momento, tudo fica misturado e condicionado a fazer parte da bagunça que virou a minha cabeça.

Tenho certeza apenas de três coisas:
Existe uma linha tênue entre perder e se achar.
Existe um abismo entre o que eu quero, e o que é bom pra mim.
E eu não tenho pressa.

Como diz um amigo, eu espero muitas coisas da vida, mas a vida também espera muitas coisas de mim.


7 de fev de 2011

Irônica, concisa e hermética

Eu sempre quis ser esse meu eu, de agora.
Acho estranho estar de sangue doce, indiferente e distante.
Não posso negar que gosto de ser assim, afinal, é bom assumir o controle de tudo outra vez, e sentir que daqui pra frente, nada mais vai ser como era antes.

Dizem que uma mente que se abre pra novos horizontes, jamais retoma o seu tamanho original, e eu posso ver hoje, com clareza, que isso é a pura verdade.
Não me vejo mais perdida em lamúrias e eternamente nostalgica como me enxergava antes. Não reconheço mais aquela fraqueza, aquela tal dor da qual foi alvo dos meus maiores devaneios, aquele vazio que persistia em se apossar de mim. Não consigo mais me sentir assim. Talvez por estar em demasia cansada desse papo todo. Não sonho mais com aquele modelo de perfeição, com fidelidade, com zêlo, até por que, nem sei se isso existe ainda, só vejo no amor que transborda dos meus pais.

Me sinto crônica ultimamente, tristeza pra quê? Sofrer por antecipação sempre foi o meu refúgio, mas hoje não, não mais, talvez nunca mais. Errar duas vezes, não tem perdão.

De uns meses pra cá, minha vida se resumiu em aprendizado. Conheci e reconheci emoções e sentimentos que até então para mim, eram antigos, ou desconhecidos. Lidei com situações que eu lutava pra não estar, e hoje eu percebo, que podia ser melhor do que eu pensava.

Tudo o que me aconteceu, me fez crescer e reaprender a viver como se deve, não como se pode.
Me surpreendo comigo mesma quando penso no quanto eu mudei, e em como essa minha nova fase me faz plena. Me sinto mais, me sinto melhor e me vejo bem, e isso não tem preço.

Obrigada a quem contribuiu para isso, voluntária ou involuntáriamente. (o sarcasmo ainda exerce grande influência na minha personalidade)

A certeza é monótona, a duvida é apaixonante.